A taxa de juro associada aos empréstimos para a aquisição de habitação aumentou em maio, marcando o segundo mês consecutivo de subida. Este crescimento, que é o maior observado nos últimos três anos, é um reflexo do aumento do risco geopolítico devido à guerra no Médio Oriente, conforme os dados divulgados pelo Banco de Portugal.
Aumento das Taxas de Juro
Os novos contratos de crédito à habitação, excluindo as renegociações, que foram celebrados em maio, fixaram uma taxa média de 2,91%. Este valor representa um aumento de 0,05 pontos percentuais em relação ao mês anterior. Em abril, também se verificou um aumento semelhante, o que destaca uma tendência de encarecimento do crédito à habitação.
Impacto da Guerra e da Inflação
O aumento dos encargos com o crédito da casa é principalmente atribuído aos efeitos da guerra entre os EUA e Israel e o Irão, que têm contribuído para a escalada da inflação e alterado as expectativas dos mercados. Estas circunstâncias levam à necessidade do Banco Central Europeu (BCE) aumentar as suas taxas de juro para evitar um descontrolo dos preços. Em junho, o BCE já implementou um aumento nas taxas e é esperado que novas subidas ocorram até ao final do ano.
Consequências para os Empréstimos
A situação atual está a provocar uma subida nas taxas Euribor, que são as taxas interbancárias aplicadas na maioria dos contratos de empréstimos à habitação em Portugal. Por exemplo, em julho, a prestação mensal de um empréstimo de 150 mil euros a 30 anos pode ter subido até 60 euros. Esta informação foi avançada pelo ECO, sublinhando o impacto direto das taxas em aumento nos encargos mensais das famílias.
Prestação Média Aumenta
Para o total de empréstimos à habitação em Portugal, a prestação média mensal atingiu os 432 euros, o valor mais elevado desde que o Banco de Portugal começou a monitorizar este indicador. Este aumento reflete tanto a subida das prestações médias dos contratos existentes como das novas contratações, que apresentam valores mais altos. O Banco de Portugal destaca a importância deste fenómeno no contexto da economia doméstica.
Comparação com a Zona Euro
As famílias portuguesas não estão sozinhas neste cenário. Na Zona Euro, a taxa de juro média dos novos empréstimos à habitação também subiu, embora de forma menos acentuada, tendo aumentado 0,02 pontos percentuais, estabelecendo-se em 3,45%. Portugal, neste contexto, apresenta a quarta taxa de juro mais baixa entre os países da área do euro, mantendo a mesma posição do mês anterior.
Juros para Empresas
A situação para as empresas também não é favorável. A taxa de juro média das novas operações de empréstimos para as empresas subiu 0,14 pontos percentuais, alcançando 3,92% em maio. Este aumento acentua as dificuldades de financiamento para as empresas, que enfrentam um ambiente económico cada vez mais desafiante.
A pressão sobre os juros do crédito à habitação e as suas consequências para as famílias e empresas em Portugal é um tema que requer atenção, especialmente num cenário de incerteza económica e geopolítica. A monitorização contínua da evolução das taxas de juro será fundamental para compreender as futuras implicações para o mercado imobiliário e para a economia em geral.