O CEO da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, abordou recentemente a evolução do setor bancário, sublinhando como a Revolut e outras fintechs estão a alterar o panorama da banca tradicional. Durante um evento promovido pela ACEGE, Macedo expressou que este ano pode ser recordado como o último em que a Caixa teve lucros superiores aos da fintech britânica. Esta afirmação realça a velocidade com que os novos modelos de negócios estão a ganhar terreno no setor financeiro.
A Revolut como Exemplo de Mudança
Macedo utilizou a Revolut como um exemplo claro do crescimento e sucesso que as empresas digitais estão a alcançar. Ele afirmou que a comparação com a fintech não diminui a performance da CGD, que continua a alcançar resultados competitivos a nível europeu. No entanto, é evidente que a banca tradicional deve estar atenta e responder a esta nova realidade.
A Competitividade no Mercado
Apesar da pressão imposta por estas novas empresas, Paulo Macedo fez questão de destacar a posição dominante da Caixa no mercado português. A CGD está a conceder cerca de 700 milhões de euros em crédito à habitação todos os meses, totalizando 2,5 mil milhões em apenas quatro meses. Este desempenho coloca a Caixa numa posição de destaque no segmento de retalho, onde ninguém mais alcança esses números.
O Desafio da Inovação
Quando Paulo Macedo assumiu a liderança da CGD em 2017, encontrou uma instituição a passar por sérios desafios, incluindo anos de prejuízos e a necessidade de recapitalização. Desde então, a CGD tem trabalhado para melhorar a sua solidez financeira, reestruturar a sua governança e elevar a qualidade do serviço que oferece aos seus clientes. Contudo, ele advertiu que nenhuma organização pode dar-se ao luxo de relaxar, utilizando o exemplo da Blockbuster para ilustrar como a falta de adaptação pode levar à irrelevância.
O Impacto das Fintechs
O surgimento de operadores digitais como a Revolut aumentou a intensidade da concorrência no setor bancário, levando os bancos tradicionais a inovar e a melhorar a experiência do cliente. Macedo salientou a importância de ter equipas que desafiem o status quo e promovam uma cultura de aprendizagem contínua, afirmando que "a excelência é um hábito" e que o sucesso é fruto da capacidade de adaptação a um ambiente em constante mudança.
Mensagem aos Empresários
Na parte final da sua intervenção, Paulo Macedo dirigiu-se aos empresários portugueses, encorajando-os a focar no que podem controlar, mesmo em tempos de incerteza. Ele destacou que, embora existam muitos fatores externos que não dependem das suas ações, a maneira como lideram as suas empresas é fundamental para o sucesso.
Reflexões sobre a Venda da Fidelidade
Macedo também comentou sobre a venda da maioria da seguradora Fidelidade à Fosun em 2014. Ele defendeu que esta decisão não deve ser vista como um erro, uma vez que os fundos obtidos permitiram a recapitalização do banco sem recorrer ao dinheiro dos contribuintes. O CEO da CGD acredita que, através da venda, a instituição conseguiu assegurar a sua solidez financeira numa altura crítica.
A Valorização da CGD
Referindo-se à valorização atual da CGD, Macedo comparou-a com os múltiplos pagos por outros bancos, como o BPCE pelo Novobanco, afirmando que, atualmente, a CGD vale 18 mil milhões de euros. Ele recordou que, na altura da venda da Fidelidade, estava em discussão a necessidade de injectar 2,5 mil milhões para recapitalizar o banco.
O contexto dinâmico do setor financeiro exige que a CGD, assim como outros bancos tradicionais, se adapte às exigências do mercado moderno e à crescente influência de empresas como a Revolut.