A taxa de esforço é um parâmetro vital a considerar quando se tem a intenção de solicitar um crédito, seja ele relacionado com habitação, automóvel ou pessoal. Este indicador vai além de um mero número que os bancos calculam; ele representa a saúde financeira do agregado familiar e a capacidade de gerir dívidas sem prejudicar o quotidiano. Neste artigo, abordaremos detalhadamente o que é a taxa de esforço, como calculá-la e as estratégias práticas para mantê-la numa faixa saudável.
O que é a taxa de esforço?
A taxa de esforço é a percentagem do rendimento líquido do agregado familiar que já está comprometida com créditos. Este cálculo inclui os seguintes elementos:
- Crédito à habitação
- Crédito automóvel
- Cartões de crédito
- Crédito pessoal
Por outro lado, não consideramos nas contas as despesas do dia a dia, como água, luz, gás, telecomunicações ou alimentação. Assim, a taxa de esforço torna-se um indicador da habilidade do agregado familiar de assumir novos compromissos financeiros sem sobrecargas.
Importância da taxa de esforço
A taxa de esforço é essencial por várias razões:
- Ajuda a evitar o sobreendividamento;
- Permite um melhor planeamento do orçamento familiar;
- É um fator crucial na aprovação de crédito pelos bancos;
- Ajuda a avaliar se as dívidas estão dentro de limites seguros em relação ao rendimento.
Qual é a taxa de esforço ideal?
Idealmente, a taxa de esforço não deve ultrapassar os 33%, o que equivale a um terço do rendimento total do agregado familiar. No caso do crédito à habitação, devido ao valor elevado dos empréstimos, alguma flexibilidade é permitida, podendo chegar-se a valores próximos dos 40%. Contudo, desde 2026, o Banco de Portugal recomenda que as instituições financeiras não concedam crédito com uma taxa de esforço superior a 45%, sendo que anteriormente o limite era de 50%.
Como calcular a taxa de esforço?
As despesas mensais relativas a eletricidade, água, gás e telecomunicações são excluídas do cálculo da taxa de esforço. Apenas os encargos com as prestações mensais de crédito são considerados, como:
- Cartão de crédito
- Crédito pessoal
- Crédito automóvel
Se não tiver um crédito à habitação, mas estiver a pagar uma casa arrendada, esse valor deve ser incluído nas despesas com encargos financeiros. Para calcular a taxa de esforço, pode seguir este procedimento:
Simulador de taxa de esforço
Para avaliar se as suas responsabilidades mensais com créditos estão dentro dos limites definidos, utilize um simulador da taxa de esforço. O simulador consiste em preencher dois campos: um para os rendimentos e outro para as despesas mensais fixas com créditos.
Rendimentos mensais: Inclua os seguintes valores:
- Salário líquido, se for trabalhador;
- Rendimentos de rendas, se for proprietário de imóveis arrendados;
- Pensões, se for pensionista;
- Outros rendimentos mensais fixos que sejam declarados no IRS.
Encargos financeiros: Para simular a taxa de esforço, introduza os valores a pagar por cada um dos créditos:
- Habitação;
- Automóvel;
- Crédito pessoal ou cartão de crédito;
- Outras despesas mensais fixas (como valores de cartões de fidelização).
Exemplo prático: Joana e Rui
Consideremos o exemplo de um casal, Joana e Rui, com 32 anos. O rendimento líquido do agregado é de 1.400 euros. Eles contraíram um crédito pessoal de 5 mil euros e possuem um cartão de crédito com um plafond de mil euros. Os encargos mensais totalizam 220 euros (120 euros no crédito pessoal e 100 euros no cartão). A taxa de esforço é calculada como (220 / 1.400) x 100 = 15,7%. Assim, Joana e Rui apresentam uma taxa de esforço aceitável, uma vez que está abaixo dos 33%.
Estratégias para reduzir a taxa de esforço
Quando a taxa de esforço se revela elevada, significa que uma parte significativa do rendimento do agregado é destinada ao pagamento de empréstimos. Se a sua taxa de esforço no crédito à habitação é alta, considere as seguintes sugestões:
- Renegociar o crédito: Tente obter condições mais favoráveis, alargando o prazo de pagamento.
- Transferir o empréstimo: Procure melhores condições de financiamento em outras instituições.
- Consolidar créditos: Agrupe todos os créditos numa única prestação mensal, o que pode facilitar a gestão financeira.
- Evitar novos créditos: Enquanto a taxa de esforço estiver elevada, evite contrair novos empréstimos até estabilizar as finanças.
Dicas para manter a taxa de esforço saudável
Para manter a taxa de esforço em níveis saudáveis:
- Evite contrair novos créditos desnecessários;
- Revise periodicamente o seu orçamento familiar;
- Aproveite oportunidades para reduzir juros ou prazos;
- Considere a consolidação ou transferência da dívida;
- Mantenha sempre uma margem de segurança para imprevistos.
Uma taxa de esforço controlada não é apenas útil para a aprovação de crédito, mas também reflete uma maior estabilidade financeira, permitindo viver com tranquilidade e segurança. Faça sempre as contas antes de avançar e lembre-se: quanto mais baixa for a taxa de esforço, maior será a margem para desfrutar da vida sem preocupações financeiras.