Em 2025, de acordo com o Banco de Portugal, aproximadamente 32 mil pessoas contraíram crédito à habitação própria permanente até abril, evidenciando uma tendência de crescimento em relação ao mesmo período do ano anterior. Durante este intervalo, metade dos novos créditos à habitação tinha valores iguais ou inferiores a 130 mil euros; 70% estavam abaixo de 170 mil euros e apenas 5% ultrapassaram 300 mil euros. O valor mediano da avaliação bancária foi de 1.774 euros por metro quadrado, e a taxa de juro média dos novos empréstimos manteve-se nos 3,22%. Quando se considera a compra de uma casa, uma das questões primordiais é: quanto é que os bancos emprestam para crédito habitação? Neste artigo, iremos responder a essa pergunta e a outras relacionadas.
Quanto posso pedir emprestado ao banco?
O montante que podes solicitar ao banco para a compra de uma casa depende de diversos fatores, entre os quais se destacam:
- Rendimento Mensal: O teu salário e outras fontes de rendimento são determinantes na definição do que podes pagar mensalmente.
- Taxa de Esforço: O Banco de Portugal recomenda que não destines mais de 45% do teu rendimento líquido ao pagamento de créditos. Este limite foi reduzido de 50% para 45% em 2026.
- Valor do Imóvel: Os bancos habitualmente financiam até 80% do valor da casa, podendo este montante subir para 90% no caso da primeira habitação, e até 100% em situações especiais com apoios do Estado.
- Histórico de Crédito: Um bom histórico de crédito pode aumentar a confiança do banco, permitindo assim um montante de empréstimo maior.
Limites impostos pelo Banco de Portugal
O Banco de Portugal estabelece diversos limites para proteger os consumidores e assegurar que não se endividem além das suas capacidades financeiras. Estes limites são aplicáveis a todas as instituições bancárias em Portugal que concedem crédito habitação:
1. LTV (Loan-to-Value)
- Primeira Habitação: O LTV máximo permitido é de 90%, ou seja, o banco pode financiar até 90% do valor de avaliação do imóvel, sendo necessário que o comprador cubra os restantes 10%.
- Segunda Habitação ou Imóveis para Investimento: Neste caso, o LTV máximo é reduzido para 80%, exigindo que o comprador faça uma entrada inicial de 20%.
2. DSTI (Debt Service-to-Income)
- Taxa de Esforço: Refere-se à percentagem do rendimento líquido mensal que pode ser alocada ao pagamento das prestações do crédito à habitação. O Banco de Portugal recomenda que esta taxa não ultrapasse 45% do rendimento líquido do agregado familiar.
3. Prazos de Amortização
- Idade do Cliente: O prazo máximo do empréstimo deve considerar a idade do cliente, sendo comum os bancos limitarem a duração do crédito à habitação para que o contrato termine antes do cliente atingir os 75 anos.
4. Regras Adicionais
- Cenários de Stress: Os bancos são obrigados a considerar cenários futuros, como potenciais aumentos nas taxas de juro, ao avaliar a capacidade de endividamento dos clientes. Isso implica que o montante do crédito concedido pode ser ajustado para garantir que o cliente possa continuar a pagar as prestações, mesmo em circunstâncias económicas menos favoráveis.
De acordo com o Banco de Portugal: "Os bancos devem assegurar que o valor do crédito concedido seja sustentável para o cliente, considerando não apenas a sua situação financeira atual, mas também possíveis cenários futuros de aumento de taxas de juro."
O que fazer se o valor do empréstimo não for suficiente?
Se o banco não conceder o valor que necessitas, há algumas estratégias que podes considerar:
- Aumentar a entrada inicial: Poupar mais ou pedir auxílio a familiares para a entrada pode reduzir o montante do empréstimo necessário.
- Reduzir outras dívidas: Pagar outras obrigações financeiras pode melhorar a tua taxa de esforço e aumentar o montante que o banco está disposto a emprestar.
- Melhorar o histórico de crédito: Trabalhar para potenciar o teu histórico de crédito pode influenciar positivamente a aprovação e o valor do empréstimo.
O montante que os bancos estão dispostos a emprestar para crédito habitação está diretamente relacionado com a tua situação financeira e com as normas impostas pelo Banco de Portugal. É fundamental planear cuidadosamente e garantir que o montante solicitado é viável a longo prazo, procuranto aconselhamento sempre que necessário. Comprar uma casa é um compromisso significativo e estar bem informado é essencial.